A esfoliação em excesso, seja ela química, mecânica ou física pode não ser tão benéfica para a pele.

fevereiro 21

A esfoliação em excesso, seja ela química, mecânica ou física pode não ser tão benéfica para a pele. 

É visível que indústrias de cosmecêuticos estão criando cada vez mais produtos que levam ácidos em sua composição e o mundo da dermatologia adora receitar ácidos para uso em casa.

É a mentalidade de "vamos descamar a pele" que tantos médicos têm como modalidade de tratamento de primeira escolha que nos preocupa quando nos deparamos com uma cliente que têm a pele extremamente sensível devido a tanta aplicação de ácidos em casa.

Uma epidemia de exfoliação excessiva

Isso surgiu com o advento dos peelings glicólicos no início dos anos 90 e progrediu até agora, com o avanço em equipamentos do tipo que promovem Microdermoabrasão e além disso, uma gama de ácidos a escolher.

Veja bem, não que o peeling seja ele mecânico, físico ou químico não nos traga benefícios, longe disso, mas é preocupante o uso indiscriminado desses procedimentos.

É como se a indústria tivesse esquecido que uma das principais éticas da profissão com os cuidados da pele é preservar a integridade da epiderme em todos os momentos.

Também esquecemos que a epiderme, uma importante linha de defesa da barreira da pele contém muitos sistemas que funcionam em sinergia para a proteção contra alérgenos e agentes agressores.

A barreira cutânea também chamada de Manto hidrolipídico é uma camada que fica sobre a epiderme, constituída por gorduras, que tem função de proteger e preservar a hidratação e saúde da pele.

A defesa da barreira da pele é posta à prova quando há um excesso de agressão. 

A cada dia a pele sofre múltiplos ataques, sejam físicos ou mecânicos, de micro-organismos indesejáveis ou de danos actínicos causados pelo sol e exposição a luz.


Ele resiste a isso com sistemas de detecção, proteção e defesa muito sofisticados na epiderme e na derme.

Além de sua função protetora, a pele também tem uma função metabólica e uma função sensorial. Finalmente, deve manter sua integridade reparando-se.

Para cumprir sua função protetora, a pele deve ser como uma barreira resistente e impermeável.

Essa responsabilidade recai em grande parte na epiderme, que é impermeável, mas não impenetrável.

O queratinócito é uma célula hidrofóbica (insolúvel em água) com um ciclo de vida desde a mitose até chegar na camada do estrato córneo como um corneócito.

Os queratinócitos produzem lipídeos e proteínas, das quais a mais importante é a queratina.

Assim que a superfície da pele fica repleta de queratina, o queratinócito perde o núcleo e “morre” tornando-se um corneócito.

Bem, sabendo que os queratinócitos sofreram uma transformação, vamos falar agora sobre os corneócitos.

Sintetizando tudo isso para que fique uma maneira mais fácil de entender:

Juntando esses corneócitos + os lipídeos produzidos na epiderme + o sebo produzido pelas glândulas sebáceas + a água com os sais minerais provenientes da sudorese, forma-se um filme sobre a pele, este filme chama-se barreira cutânea que serve como proteção à nossa pele, levando o nome de manto hidrolipídico.

Quando a pele sofre constantes agressões com esfoliações excessivas, estamos induzindo o ciclo de descamação imatura.

É a camada superficial da pele (estrato córneo), que torna a pele impermeável e hidrofóbica, protegendo a derme subjacente e as camadas subcutâneas.

Esta camada também resiste aos ataques químicos, graças aos corneócitos preenchidos com a proteína de queratina insolúvel e a proteção lipídica.


A primeira linha de “defesa de barreira cutânea”.


A pele é recoberta por manto ácido (pH entre 4 e 5,5). É o filme hidrolipídico que possui todas as propriedades necessárias para evitar o desenvolvimento de bactérias não residentes e manter a barreira da pele.

A camada córnea não é um local estéril, e numerosas bactérias residentes são abrigadas e prosperam nos espaços entre os corneócitos.


Flora normal da pele

São micróbios, principalmente bactérias, que vivem simbioticamente dentro e sobre o corpo, normalmente sem efeitos prejudiciais para nós.

Três espécies de bactérias são particularmente bem adaptadas para resistir ao ambiente ácido da pele e aos peptídeos antibióticos: Staphylococcus epidermidis, Propionibacterium acnes e Corynebacterium.

A microflora do manto ácido é uma parte importante da pele humana, contribuindo para suas funções e atividades.

As várias espécies residentes são uma vantagem na maioria dos casos, mas em algumas circunstâncias e com alguns grupos de pessoas, a microflora da pele está envolvida em processos patológicos menores a maiores, por exemplo, acne.


A manutenção do pH fisiológico da pele é fundamental para evitar a proliferação de patógenos e o excesso ou a falta de higiene perturba o equilíbrio dessa flora cutânea.

O Filme Hidrolipídico (manto ácido) também mantém a hidratação. A água livre da derme atravessa continuamente a epiderme por capilaridade e evapora da superfície da pele, conhecida como Perda de Água Transepidérmica. Além de criar um ambiente para a residência da flora cutânea, o filme hidrolipídico (manto ácido) desempenha o importante papel de manter a hidratação epidérmica ao diminuir a perda de água transepidérmica, além de criar uma barreira física ao atrito e ao movimento.

Defesa da pele

A pele possui um sistema de defesa muito elaborado, onde diferentes tipos de células atuam juntas ou sucessivamente.


Células de Langerhans, que são células dendríticas originadas da medula óssea, depois por linfócitos T e macrófagos.

São células grandes com extensões longas e ramificadas ou dendritos. Alguns deles alcançam a junção dermoepidérmica e outros chegam perto do estrato córneo.

As células de Langerhans são responsáveis pela resposta imune contra um antígeno aplicado localmente na pele.


Se um antígeno (substância estranha) penetra e atravessa a camada córnea, essas células se encarregam dele e o expulsam.

Em menos de 6 horas, eles podem ser encontrados nos vasos linfáticos dérmicos, onde passam o antígeno para os linfócitos T, os linfócitos T liberam a reação em cascata imunológica para eliminar o antígeno e mantê-lo na "memória imunológica".


Se o mesmo antígeno voltar a penetrar na epiderme, mesmo anos depois, será imediatamente reconhecido e a reação imunológica será mais rápida e eficaz.

Se o antígeno, entretanto, consegue cruzar essa primeira linha de defesa, os macrófagos da derme o detectam e o eliminam.


Essa dupla é complementada pelos queratinócitos, que, em caso de infecção, produzem mais citocinas, que estimulam a atividade dos linfócitos T.

Sabemos que a remoção do manto ácido diariamente por meio de lavagens com sabonetes agressivos levará a um desequilíbrio da microflora.

Muitas linhas de cuidado da pele usadas demais pelos clientes levam a uma sensibilidade subjacente e um manto ácido prejudicado. A secura associada que advém desta ação agrava o bloqueio do ducto pilossebáceo, acelerando assim um problema onde surgem micro comedões.

O abuso em sistemas de esfoliação da pele está levando ao desequilíbrio do manto hidrolipídico.

Produtos esfoliantes


Sim, a esfoliação é um passo importante na limpeza do rosto e do corpo. Pode remover as células mortas da pele que podem ter se acumulado na camada superior da epiderme. No entanto, por que a pele acumulou células mortas da pele em primeiro lugar? Essa é uma avaliação que precisa ser feita antes de iniciar com um programa de tratamento com peelings químicos ou aparelhos.

O uso excessivo de peelings profissionais e as modalidades de peeling que os acompanham e a crença de que o peeling contínuo ou abrasão da pele será a resposta para rugas, pigmentação e acne acaba destruindo a barreira de proteção.

Quando se faz um tratamento completo com sessões de peeling é necessário aguardar a recuperação da pele e então oferecer um tratamento contínuo para hidratação ou revitalização profunda.

Problemas de pele como pigmentação e envelhecimento constituem grande parte das preocupações de nossos clientes.


Resposta da pele ao Peeling Químico


A remoção das camadas superiores da epiderme inclui muitas células. Além dessa remoção, ocorre certo trauma na derme.

Isso envolverá estimulação de fibroblastos, aumento da circulação sanguínea, melhora do tônus e textura da pele. Isso auxiliará na formação de novas proteínas de colágeno e elastina.

Após as aplicações de peeling químico, convém iniciar um programa de hidratação e regeneração da pele para obter resultados expressivos.

Formação profissional em peelings químicos 


Para a formação de profissional em peelings químicos é necessário estudar sobre os ácidos, porcentagens e ph. Saber quais são as melhores indicações para cada tipo de pele diferente e entender a respeito do tempo de ação, neutralização do ácido, o que recomendar para a sua cliente usar em casa e ainda aprender a montar fórmulas.

É necessário também ter um certificado de conclusão em Peelings químicos

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